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Marchas e Skid Spots

waterskid
Eu diria que uma das mais importantes escolhas ao se montar uma Fixa, se não a mais importante, é a escolha do tamanho da coroa e do pinhão.
Essa escolha definirá a performance de sua Fixa (e claro a sua) de acordo com o terreno em que se pretende andar. Para ajudar nessa seleção, coloquei aqui uma tabela que ajuda a comparar as diferentes “polegadas de marcha”, uma das 3 formas principais de se medir essa variação. A polegada de marcha (ou Gear Inches) é facilmente calculada pelo diâmetro da roda de trás vezes o tamanho da coroa dividido pelo tamanho do pinhão (RODA*COROA/PINHÃO) em polegadas. As relações azuis são as mais leves e as vermelhas as mais pesadas. Outras formas de se medir essa variação podem ser encontradas no site do Sheldon Brown. Selecione algo intermediário e aproveite! 

Nessa tabela você pode também consultar os “Skid Spots”, muito úteis para os que andam sem freios, são a quantidade de pontos do pneu que seram desgastados com as derrapagens considerando-se sempre o mesmo pé à frente. Quanto mais pontos, mais tempo irá durar seu pneu. Viu só? Ajudei a economizar seu pneu e dinheiro.

Gear Inches & Skid Spots

Gear Inches & Skid Spots

Qual é a sua relação?

Fixed Gear no Brasil

Fixed Gear está tomando o mundo por diversas razões. O meu primeiro contato foi em 2007 quando morava em Londres e meu meio de transporte era a bicicleta. Fixed Gear ou Fixies são as bicicletas que contam com o que chamamos no Brasil de “Catraca fixa” ou “Pinhão fixo”. São bicicletas sem marchas e muitas vezes sem freios (falaremos muito sobre isso) que devido a sua simplicidade mecânica, agradável estética e muita eficiência foram escolhidas como as bicicletas “oficiais” dos couriers de grande metrópoles como Nova Iorque, São Francisco e Londres.

1984 Detto Pista

1984 Detto Pista

1984 Detto Pista

1984 Detto Pista

A origem dessas bicicletas vem diretamente das bicicletas de pista (track bikes), ou de velódromo, aquele circuito oval inclinado onde se atinge altas velocidades em bicicletas como essa. Mas conforme avança a cultura nichos diferentes são criados onde se dá preferência seja puramente pela estética com detalhes bem coloridos, pela performance com componentes de última geração como as de competição de hoje, alguns buscam conceitos futuristas, outros tentam reproduzir clássicos nos moldes de suas origens.

Ao se deparar com uma bicicleta dessa muitos têm dúvidas sobre sua funcionalidade nas ruas como “Não cansa mais?”, “Como você faz para parar?”, “Mas isso é muito perigoso! Não?” e muitas outras que só uma coisa resolve: uma volta no quarteirão. Vou tentar responder algumas dessas perguntas:

• “Não cansa mais?” – A resposta é que como muitas coisas depende da sua percepção. A ausência de marchas é como qualquer outra bicicleta sem marchas, mas a diferença está no fato que você nunca para de pedalar, a sensação é realmente única, muitos dizem se sentir “como um só” com a bicicleta, controlando cada movimento dela. Muitos que aderem a essa prática o fazem pela eficiência: é como se você só tivesse uma calça. Você acorda de manhã, põe aquela calça e pronto. Quando você tem muitas opções de calças (marchas…) você tem que escolher a camisa que combina com aquela calça, aí aquela calça está lavando então você pega outra, mas não combina com aquela camisa… enfim você chega atrasado. Muitas pessoas (eu diria a grande maioria) não sabe utilizar corretamente as marchas da bicicleta que tem, e o resultado são os ciclistas que vemos pedalando tão rápido que quase não saem do lugar. Muitos ciclistas profissionais (o próprio Lance Armstrong por exemplo) usam fixed gears para treinar uma melhor cadência e fortalecer os músculos de trás do joelho. Claro que você tem que estar saudável, e se cansar mais, é porque você tem que pedalar mais!

• “Como você faz para parar?” – Ainda bem que alguém pensa nisso! Nas pistas o uso de freio é proibido, podendo causar terríveis acidentes, além de desnecessário, afinal quem for mais rápido ganha não? Mas na pista não temos semáforos, cruzamentos, pedestres, ônibus, discos voadores, etc… E isso é um grande divisor de águas no mundo Fixed. Alguns pregam a proibição de freios para manter as origens e os outros que sobreviveram usam um freio na frente para emergências. É totalmente possível freiar uma Fixed Gear sem utlizar freios, simplesmente invertendo a força nos pedais, como se quisesse ir para trás (sim elas vão para trás!), fazendo um pouco mais de força sua roda traseira trava e você derrapa como se fosse com um freio traseiro. Mas se você lembrar que um ciclista experiente usa apenas o freio da frente 95% do tempo faz sentido ele estar lá, não?

• “Mas isso é muito perigoso! Não?” – Quanto mais perigosa uma prática for, mais cuidado e atenção você vai ter correto? Pois numa fixed gear onde seus pés estão presos aos pedais (sim sim, presos, senão como você pedala para trás?) e ainda sem freio, sua atenção estará voltada aos próximos 50-100 metros e não nos comuns 5 metros a sua frente. A ausência de qualquer ruido e a sensação de unidade com a bicicleta também aguçam seus sentidos. Use sempre capacete e não pedale mais rápido do você possa parar e você não terá maiores problemas.

São raras no momento a ocorrência de Fixed Gears no Brasil, é quase impossível conseguir peças para um visual mais clássico (“Mas isso ninguém usa mais! Hoje é tudo de fibra de carbono ou alumínio!”), o que faz a construção de uma realmente uma caça ao tesouro, mas com a explosão do movimento lá fora logo veremos algumas passando por aqui.

Boas Pedaladas!